Participantes de diferentes setores examinaram desmatamento, degradação florestal e regeneração para apoiar a estruturação da AJDS.
Representantes do poder público, setor privado, sociedade civil, instituições de pesquisa e povos e comunidades tradicionais participaram, entre 22 e 24 de abril de 2026, de uma oficina multissetorial em Goiânia. O encontro reuniu 51 pessoas para analisar as mudanças na cobertura e no uso da terra em Goiás entre 2016 e 2025. A atividade integrou o processo participativo de estruturação da Abordagem Jurisdicional para o Desenvolvimento Sustentável (AJDS) e utilizou a metodologia DriveNet para relacionar informações técnicas à experiência de quem atua nos territórios.
Desmatamento, degradação e regeneração não ocorrem da mesma forma
Com apoio de mapas e dados sobre a vegetação goiana, os grupos identificaram mudanças na paisagem e discutiram onde elas ocorrem e quem está associado a cada processo. Nas contribuições sobre desmatamento, apareceram a expansão agropecuária, urbana e minerária, além das pressões sobre áreas protegidas e territórios tradicionais. Para a degradação florestal, os participantes destacaram o uso recorrente do fogo, o manejo inadequado e a fragmentação da vegetação, entre outros fatores.
João Pedro Gurgel, Coordenador do Projeto, apresenta a AJDS
A oficina também examinou os processos que favorecem a recuperação da vegetação. A regeneração foi relacionada tanto à recuperação natural de áreas quanto à restauração ecológica, à produção sustentável e ao manejo de produtos da sociobiodiversidade. Essa análise ajuda a reconhecer que reduzir a perda de vegetação e ampliar sua recuperação exigem respostas distintas, embora conectadas.
As causas vão além das mudanças visíveis na paisagem
Depois de caracterizar as mudanças, os participantes discutiram suas causas e barreiras e organizaram as relações entre elas. Ordenamento territorial, regularização fundiária, assistência técnica, instrumentos econômicos, mercados e coordenação entre instituições apareceram como fatores que podem influenciar mais de um processo. A dificuldade de acesso a financiamento e o custo da restauração, por exemplo, foram apontados entre as barreiras para ampliar a regeneração.
Ao longo dos três dias, os grupos produziram três conjuntos de resultados: a caracterização das mudanças e dos agentes associados, a identificação das causas e barreiras e a sistematização das relações de influência entre esses fatores. As discussões foram apresentadas em plenária, permitindo esclarecer divergências e reunir contribuições de diferentes setores em uma base comum para a etapa seguinte da análise.
Contribuições para as próximas decisões da AJDS
Os resultados da oficina ainda não definem quais intervenções serão priorizadas. As contribuições dos participantes serão integradas a dados espaciais, estudos setoriais e outros diagnósticos para aprofundar a análise dos vetores de mudança do uso da terra e das barreiras à conservação e ao aumento dos estoques de carbono florestal e o manejo sustentável das florestas. Esse trabalho poderá apoiar o diálogo da AJDS com instrumentos estaduais como o PPCDQIF e o Programa Jurisdicional de REDD+ em desenvolvimento.
Registro fotográfico das atividades da oficina multissetorial
Ao aproximar evidências técnicas e conhecimento territorial, a oficina ampliou a compreensão dos fatores que influenciam a paisagem goiana. Sua contribuição mais importante é mostrar onde a ação coordenada pode ser necessária – e oferecer uma base para discutir, nas próximas etapas participativas, estratégias de conservação, produção sustentável e inclusão social.