Projeto registra 15,9 mil hectares contratados em nove municípios e destaca a participação de pequenos imóveis rurais, assentamentos e mulheres.
O Governo de Goiás apresenta, em sumário executivo, os resultados do primeiro ciclo anual do Cerrado em Pé, projeto-piloto do Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PEPSA). A iniciativa remunera proprietários e possuidores de imóveis rurais pela conservação voluntária de vegetação nativa em áreas que poderiam receber autorização para supressão. Com isso, busca oferecer uma alternativa econômica à conversão dessas áreas, complementando a fiscalização e a regularização ambiental.
Entre 2024 e 2025, o projeto recebeu 571 inscrições, que ofertaram 25,9 mil hectares para conservação nos nove municípios prioritários do Norte e Nordeste goiano. Foram deferidas 427 inscrições, correspondentes a 15,9 mil hectares contratados e cerca de R$ 8,2 milhões em pagamentos por serviços ambientais. O município de Cavalcante concentrou a maior área contratada, com aproximadamente 4,3 mil hectares.
Os dados também mostram o alcance social do programa. Imóveis com menos de quatro módulos fiscais respondem por 83,8% das inscrições deferidas; 33,4% estão localizadas em assentamentos da reforma agrária, e 36,8% têm mulheres como proponentes. Nas áreas contratadas, predominam as formações savânicas e campestres, que representam, juntas, mais de 96% do total. Esse perfil é relevante para uma política de conservação do Cerrado que reconheça a diversidade de sua vegetação, e não apenas as formações florestais.
Para ampliar o acesso ao programa, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) combinou inscrições pelo sistema PSA SEMAD com mobilização e mutirões presenciais. O acompanhamento das áreas contratadas reúne alertas de desmatamento, imagens de satélite, registros de incêndios e, quando necessário, vistorias de campo. Uma plataforma de transparência permite consultar inscrições, áreas e valores, enquanto o Fórum Goiano de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável acompanha a efetividade da iniciativa.
O sumário apresenta ainda uma estimativa de 2,42 milhões de toneladas de CO₂ em emissões potencialmente evitadas no primeiro ciclo, calculada a partir de fatores de emissão associados à vegetação conservada. Trata-se de uma estimativa, não de uma redução de emissões medida diretamente. A continuidade do monitoramento e a renovação dos contratos serão importantes para avaliar os resultados ambientais ao longo do tempo.
O material também registra a criação de um edital específico para povos indígenas e comunidades quilombolas, visando apoiar projetos ligados à sociobiodiversidade e à gestão territorial comunitária. Essa frente tem regras próprias e não integra os resultados das inscrições de imóveis rurais apresentados no balanço do primeiro ciclo.