Estratégia para integrar produção, conservação, adaptação e desenvolvimento econômico em uma trajetória de neutralidade de emissões até 2050.
Enfrentar a mudança do clima em Goiás significa olhar para decisões que acontecem em todo o território: como produzir alimentos, conservar a vegetação nativa, proteger a água, gerar energia e preparar municípios e comunidades para eventos extremos. Nenhuma dessas frentes avança de forma isolada. É dessa necessidade de integração que parte a Estratégia Goiás Carbono Neutro 2050, lançada pelo Governo do Estado em setembro de 2023.
O objetivo da Estratégia é promover a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2050, ao mesmo tempo em que fortalece uma matriz produtiva tecnologicamente sofisticada, ambientalmente limpa e economicamente competitiva. O compromisso não se limita a compensar emissões: prevê reduzi-las nos processos produtivos, conservar e recuperar ecossistemas e ampliar a resiliência climática e hídrica do Estado.
Da visão de longo prazo às prioridades de Goiás
A Estratégia organiza essa trajetória em três eixos. O primeiro, sustentabilidade territorial, aproxima produção agropecuária de baixo carbono, conservação da vegetação nativa, recuperação de áreas degradadas e inclusão da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais. Entre as possibilidades apontadas estão sistemas produtivos integrados, práticas de manejo do solo e incentivos como o pagamento por serviços ambientais.
O segundo eixo trata do plano de ação e da trajetória climática. Para transformar a visão de 2050 em medidas verificáveis, Goiás precisa definir metas, responsabilidades e indicadores, conhecer os riscos climáticos de suas regiões e acompanhar tanto as emissões quanto os resultados das ações de mitigação e adaptação. O documento também prevê apoio aos municípios e aproveitamento dos sistemas de monitoramento já existentes.
O terceiro eixo é o fomento ao mercado de carbono. A Estratégia propõe fortalecer a capacidade estadual de apoiar projetos e iniciativas jurisdicionais de redução certificada de emissões, com atenção à integridade ambiental e à distribuição dos benefícios. Créditos de carbono e pagamentos por resultados são possibilidades de financiamento, mas dependem de regras, monitoramento e comprovação dos resultados alcançados.
Uma agenda construída com participação e acompanhamento
A Estratégia foi concebida como um documento de orientação, aberto a revisões e contribuições ao longo do tempo. Sua implementação depende, portanto, da cooperação entre governo, setor produtivo, instituições de pesquisa e sociedade civil. Um espaço para esse diálogo é o Fórum Goiano de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, instituído em 2024 como instância consultiva de participação e governança.
A Semad apresenta a Estratégia e as iniciativas climáticas relacionadas em sua página institucional. O desafio dos próximos anos é fazer com que compromissos, políticas e instrumentos financeiros se reforcem mutuamente — e que os avanços possam ser acompanhados de maneira transparente. A neutralidade em 2050 é o horizonte; as decisões tomadas agora determinarão a trajetória até lá.